Uma cidade auto-suficiente é possível?

  


    Tenho planejado há algum tempo, um novo conceito de cidade, que seja possível de ser executado, porém, a minha ideia é que esta cidade seja de fato auto-suficiente, não dependa de nenhum recurso externo, não gere poluição, e preserve a natureza, seria este um conceito possível? Bom vou resumir aqui a ideia, e nas postagens seguintes podemos nos aprofundar e discutir cada tema com mais atenção.

    Alguns pontos que tenho estudado sobre este assunto, são definir qual a menor estrutura urbana sustentável possível de ser replicada, como se fossem módulos, ou as estruturas hexagonais de uma colmeia de abelhas. Qual seria a quantidade mínima de habitantes para que todos os serviços essenciais sejam prestados, quais seriam os serviços mínimos necessários, quanto de alimento precisaria ser produzido, quais alimentos, etc...

    Outro ponto importante, é como a tecnologia e automação podem colaborar neste sistema, num módulo planejado, toda a logística por exemplo, pode ser automatizada, robôs, esteiras, drones, enfim... Os meios de transporte podem ser reestruturados, para que veículos à combustão não tenham acesso à parte interna da cidade, ficando apenas no estacionamento. Neste ponto podemos ressaltar a micro-mobilidade, veículos de propulsão humana ou elétrica, autônomos ou não, quem sabe "elevadores" transitando na horizontal?

    Claro que para um projeto deste nível, muitas coisas precisam ser repensadas, reaproveitamento de água da chuva, reciclagem, reutilização, destino de lixo orgânico (que pode ser utilizado na produção de gás, adubo, entre outros) produção de energia solar, eólica, ou até mesmo hídrica, se houver o recurso no local. A captação de água da chuva seria suficiente para abastecimento ininterrupto para toda a cidade, ou ainda seria necessária captação do recurso por outros meios?

    Enfim, são muitas perguntas, pra uma quantidade ainda maior de respostas. Ainda acredito que a maior barreira ainda é a regulação, num país com tantas regras complexas e tão engessado quanto o nosso, penso que a melhor saída para um projeto deste porte, seria que toda esta cidade fosse privada, sim, uma empresa! Onde cada habitante seria um funcionário desta empresa, explico o porquê: Numa situação normal, durante a 'vida útil' de algum produto, ele é tributado diversas vezes, por exemplo, na compra das sementes, na compra dos insumos, na venda para o comércio, durante a manufatura, embalagens, rótulos, mão de obra, venda ao consumidor, e até durante a reciclagem posterior, este produto foi tributado, ou seja, tudo em nosso país tem uma carga tributária muito grande, porém, acredito que, se algo é produzido, manufaturado, repassado, consumido e reciclado dentro da própria empresa, pode-se reduzir muito esta carga tributária, permanecendo apenas o imposto sobre a renda de cada indivíduo, sendo esta mais que suficiente para alimentar nosso governo, ele fazendo ou não um bom proveito do recurso.

    Com isso, a cidade/empresa teria uma autonomia maior sobre o desenvolvimento das atividades básicas necessárias para ser sustentável e, falando sobre necessidades básicas, outros pontos poderiam também ser repensados, como por exemplo, o sistema de ensino! Acredito que o sistema utilizado hoje em nosso país está ultrapassado, foi planejado para uma época onde era necessária uma grande quantidade de profissionais para o setor industrial, mas hoje tem sido um grande causador de uma sobrequalificação, têm saturado o mercado e ampliando o desemprego de cima para baixo, onde começam a sobrar profissionais qualificados em cargos mais altos, e estes começam a descer, causando assim uma desvalorização de todas as profissões, e maior desemprego nas áreas de base.

    Pensando nisso, tentei encontrar uma solução que encaixasse o sistema de ensino de forma atual e eficiente dentro do nosso conceito de cidade, e cheguei no seguinte modelo, onde cada "empresa" dentro da cidade, teria um setor de ensino, por exemplo, dentro da padaria, teria um profissional de ensino, que receberia os alunos que tiverem interesse pelo setor, e faria um acompanhamento personalizado deste aluno, na forma de um planejamento de carreira talvez, algo que desperte a criatividade e curiosidade do aluno pelo setor, tornando o professor um conselheiro, e "ensinando o aluno a aprender". Desta forma, o ensino não seria mais linear, mas sim personalizado para cada indivíduo, não teríamos mais uma descarga de profissionais com os mesmos conhecimentos e sem experiência alguma no mercado de trabalho.

    Exemplificando a trajetória de dois alunos deste novo sistema, um iniciou seus estudos em uma oficina mecânica, pois era apaixonado por corridas e queria aprender mais sobre está área, nesta oficina ele aprendeu muito sobre a física aplicada em automóveis e motores, a química da combustão, a administração financeira de um escritório, o controle de estoque de peças e a da produção dos funcionários, além de negociar com fornecedores, atendimento à clientes, etc... mas depois desta oficina, o nosso primeiro aluno acabou se desenvolvendo e se encaminhando para a parte de logística, onde a parte física dos prédios que compunham a oficina, o levaram à estudar sobre construções metálicas, e ele acabou se formando em engenharia civil. Que reviravolta não?
    Pois bem, o segundo aluno, muito diferente do primeiro, iniciou seus estudos na área de produção de alimentos, estudando sobre permacultura, plantio de frutas, onde ele aprendeu sobre reaproveitamento do lixo orgânico, uso consciente dos recursos hídricos, administração dos insumos e manejo da terra, deste local, ele evoluiu e foi estudar na padaria que citamos agora a pouco, onde aprendeu técnicas de industrialização e manufaturamento, a produção dos alimentos em si, automação de processos, robótica e inteligência artificial, mas a experiência na padaria acabou o levando à uma cafeteria, onde ele se encantou pela arquitetura das cafeterias gourmet, e posteriormente o levou à uma formação também em engenharia civil.
    Notaram como temos dois alunos recém formados na mesma área, mas com vivências, experiências e trajetórias completamente diferentes? E ainda mais, não são apenas mais dois recém formados jogados no mercado de trabalho, mas são dois profissionais com a vivência de diversas áreas, com currículos muito diferentes, que podem ajudar de formas muito diferentes em um mesmo cargo profissional, ou empreender em qualquer outro setor, visto que durante a trajetória deles nos estudos, foram instigados à desenvolver sua criatividade, senso crítico, observar todos os fatores que influenciam numa operação, e resolver problemas reais, com consequências reais, muito diferente de "pedrinho comprar 32 maçãs". Além de que, durante a formação destes alunos, quanto poderiam contribuir e desenvolver as atividades dentro das empresas onde eles estudam?

    O uso de materiais de fontes renováveis também deve ser muito bem planejado, moramos num país onde é muito comum utilizarmos na construção civil materiais de construção de origem mineral, não renovável, enquanto o correto manejo da terra pode nos fornecer grandes áreas de reflorestamento nos gerando materiais ilimitados, assim como a reciclagem de demais materiais e o desenvolvimento de novos compósitos sustentáveis, tanto para aplicação na construção civil, quanto para as demais engenharias. (Foi esta a inspiração para a imagem do post)

    Para finalizar a reflexão, temos ainda diversos outros assuntos para pensar, como as áreas de saúde e segurança por exemplo, as formas de expansão e replicabilidade destes módulos, as ligações entre eles, transporte, serviços que possam compartilhar entre si, locais onde poderiam ser aplicadas as primeiras cidades modelo, que na minha opinião, seriam perfeitamente aplicadas em locais onde já existe uma degradação do ambiente, como grandes fazendas de monocultura.

    Gostaria de acrescentar sua opinião à esta discussão? Os comentários aqui abaixo estão aguardando sua colaboração!

Uma nova vida para um velho blog... Sustentabilidade


     Bom, se alguém que estiver lendo estas linhas já conhecia o BCCN Brasil antes desta data, sabe que sempre fui muito ligado às bicicletas, pois bem, não foi só uma fase, jamais acabou, aliás, acabou por evoluir! Para quem não me conhecia, prazer, Leandro Roedel, hoje tenho uma empresa de entregas sustentáveis, trabalhamos com bicicletas cargueiras elétricas, fazendo entregas para e-commerce's por toda a cidade de Curitiba - Pr.

    Dentre muitas reviravoltas, o blog acabou ficando de lado por alguns anos, com algumas tentativas frustradas de retomar com mais do mesmo, pois bem, o blog como era acabou junto com o crescimento do Facebook, a criação de conteúdo aqui sempre foi "artesanal", e de fato quando as páginas no face dispararam, eu não tive como competir, mesmo com ajuda nas postagens aqui do Brian e do Alexandre, vale aquela velha premissa, de que quem não se atualiza é deixado para trás.

    Pois bem, hoje, 25 de dezembro de 2020, (Feliz Natal!) retorno aqui com um novo objetivo, trazer uma vida nova ao BCCN Brasil, de uma forma que, sinceramente, espero que seja possível... Que tal evoluir? Um novo tema, um novo formato, novos assuntos, um banco de ideias? Quem sabe... Não quero criar expectativas, muito menos prever qual será o futuro do blog, mas quero fazer com que minhas breves palavras sirvam de inspiração para pelo menos uma pessoa! 

    Sustentabilidade, apenas um assunto do momento, ou uma necessidade do momento? É este o tema principal que gostaria de tratar daqui por diante no blog, estou desenvolvendo um projeto de cidade sustentável, e pretendo usar este espaço para documentar algumas ideias, conceitos, quem sabe levantar debates... Ressalto que não sou especialista no assunto, nem tenho alguma formação em área que possa tornar minha opinião uma regra, longe disso, são apenas conceitos, pensamentos transformados em texto e disponibilizados aqui.

    Enfim, sejam todos bem vindos ao novo começo!
Leandro Roedel.




#7 As Dificuldades da Última Milha

Esta postagem tem o objetivo de levantar uma reflexão sobre o tema de ciclologística, e mostrar o que está acontecendo na área atualmente.
Vale ressaltar que as opiniões dispostas aqui são pessoais minhas, me chamo Leandro Roedel, e sou Diretor Geral da Last Mile Bikers, uma empresa de entregas econômicas que atende Curitiba e Região Metropolitana.

Os clientes deste sistema

Pensando em aspectos gerais sobre o comércio, temos uma "pequena" quantidade de grandes comércios, com sistemas de logística bem desenvolvidos, que oferecem opções de frete baratos nas vendas online, diferente dos comércios locais, que existem em grande quantidade, porém não tem a estrutura desenvolvida para trabalhar com entregas, ficando "reféns" de fretes caros, e mais dependentes da venda presencial, por não ter como competir com os grandes comércios.
Contudo, os tempos estão mudando, e a pandemia do Covid-19 forçou muitos comércios à partirem para as vendas online, amentando a demanda para serviços de entrega, porém, sem muitas opções ainda de entregas econômicas.

Os prestadores de serviço

Agora vendo por outro lado, temos as empresas de entrega, com alguns desafios que muitos não conhecem, as entregas neste ponto são feitas por transportadoras, quando estas oferecem serviço de distribuição local, mas na maioria os comércios locais tem pouca demanda de entregas, e acabam optando pelas entregas avulsas, que tem um "grande potencial de desastre", pois não possuem nenhuma otimização das rotas de entregas, não tem estrutura, e todo o tempo gasto na entrega é custeado única e exclusivamente pelo solicitante (ou repassado ao cliente), resultando em fretes caros, e em muitas vezes, perda de vendas.

A bicicleta como opção

Neste momento de busca por redução de custos, chegamos ao meio de transporte mais econômico, a bicicleta! Porém, ela também traz algumas dificuldades características, como o baixo alcance com eficiência, e o custo alto da hora do ciclista quando não se têm rotas otimizadas.
A solução da Last Mile Bikers para resolver este problema é ter sempre centros logísticos próximos dos pontos de coleta e de entrega, possibilitando que todas as coletas e entregas sejam feitas de maneira eficiente e rápida. Porém, nos deparamos com um sério problema na implantação deste sistema: o crescimento lento da demanda.

Implantação do sistema

O ideal seria ter todo o sistema pronto para iniciar a operação, porém, o custo para estruturar toda a operação numa cidade do porte de Curitiba, seria muito alto, e fora da nossa capacidade de investimento atual. Então como fazer a implantação deste sistema sem altos investimentos? Pois com apenas um ponto de concentração destas rotas, caímos no problema inicial de baixo alcance e elevação do custo da operação. Demais empresas lidam com esta situação trabalhando com uma expansão lenta de aumento de raio, partindo de um ponto central da cidade, a partir do momento que alcançam a sustentabilidade dentro do raio, expandem, seria esta uma maneira eficiente, porém leva a outro grande problema, não resolve a necessidade do cliente!

A real necessidade do cliente

Precisamos para um pouco neste momento para não cair no mesmo problema que outros negócios caíram: "focar na nossa capacidade e esquecer da necessidade do nosso cliente", este é um grande erro que muitos cometem, nosso cliente é o comerciante que precisa entregar seus produtos para a maior região possível, com menor custo possível e da maneira mais prática, não faz sentido nenhum para ele contratar uma empresa que atende apenas um pequeno raio, ainda mais considerando as várias demais restrições que a bicicleta trás, como de peso e volume. 

A solução inesperada

Chegamos à conclusão que para a implementação gradativa deste sistema, precisamos resolver principalmente os problemas no alcance baixo da bicicleta, e no custo alto da entrega unitária. Foi então que notamos que o motivo do custo alto das entregas por motoboy, é o mesmo que causa o custo alto nas entregas de bicicleta: a falta da otimização das rotas, com uma diferença, a moto não perde a eficiência em entregas longas. Claro que a motocicleta tem mais custos com manutenção do que uma bicicleta, e ainda tem o custo com combustível, porém, a otimização das rotas basta para reduzirmos o custo unitário das entregas.

O novo desafio

Parece um efeito dominó, não é? Após decidirmos unir ciclistas e motociclistas num mesmo sistema, nos deparamos com outro problema, que é a baixa demanda em grandes áreas de atuação, para possibilitar a otimização das rotas, para solucionar este problema, estamos partindo para o marketing digital em locais específicos, para gerar demanda em regiões mais restritas, enquanto ampliamos lentamente o atendimento de bike, mas sem deixar de atender nossos clientes em regiões mais distantes.

A jornada do cliente

Além dos desafios operacionais, também temos que lidar com outra dificuldade: apesar da atividade de delivery ser muito conhecida, nosso sistema com otimização não é tão conhecido popularmente, e acabamos tendo dificuldades para ensinar nosso sistema aos clientes, pois facilmente confundem com o sistema tradicional, que acaba sendo mais rápido, porém, tem custo muito mais alto. 

Conclusão

Apesar de ser uma atividade que não é novidade para ninguém, nos deparamos com um pequeno oceano azul, e estamos realizando diversos testes para poder atender da melhor forma possível nossos clientes, assim como melhorar as condições dos nossos entregadores, ao mesmo tempo que ampliamos a estrutura, com intenção de reduzir custos operacionais e ampliar nosso serviço com qualidade, eficiência, implementando inovações tecnológicas ao setor e oferecendo um serviço de alto nível para o comércio local.





#6 Corrente da Bicicleta - Limpeza e Lubrificação

Trabalhei alguns anos em oficinas de bicicletas, e um dos problemas mais recorrentes que vi, foi problemas relacionados à limpeza e lubrificação da relação das bikes, por isso, com base nos casos mais comuns, separei algumas dicas que vão te ajudar a não passar por estes problemas.

Ao fazer a limpeza e lubrificação da corrente da sua bicicleta, deve se atentar à alguns detalhes:

1- Não utilizar SPRAYS DESENGRIPANTES, eles causam um efeito inicial onde parecem lubrificar, mas na verdade eles retiram a lubrificação, causando maior desgaste das peças. Tais produtos devem ser utilizados apenas em parafusos e partes de metal que podem sofrer oxidação, nunca na corrente da bicicleta!

2- Para fazer a limpeza da corrente, o ideal é usar algum tipo de solvente, como querosene ou gasolina, que podem ser retirados facilmente com água e sabão. Aplique com auxílio de pincéis ou escovas, se possível fazer a retirada da corrente e deixar de molho. Após feita a limpeza, deve-se retirar restos destes solventes, utilizando água e algum sabão neutro, a permanência de solventes na corrente pode prejudicar a lubrificação.

3- Não utilize graxa na corrente, assim como alguns óleos mais densos, a graxa pode reter muita sujeira, terra, poeira, etc, estes materiais, além de deixarem a corrente com aparência de suja, causam grande desgaste de toda a relação da bicicleta.

4- Para lubrificação, o ideal é utilizar óleos próprios para bicicletas, custam pouco, podem ser utilizados dezenas de vezes, e, principalmente os que possuem cera, vão manter sua corrente lubrificada e limpa por mais tempo, evitando acúmulo de sujeira e desgaste prematuro.

Atente-se também à vida útil da corrente, usar uma corrente desgastada pode te fazer ter que trocar toda a relação em menor tempo do que seria necessário, causando gastos elevados sem necessidade.

imagem mostra corrente da bicicleta sem lubrificação, com oxidação causada pelo tempo

#5 COMO UMA BICICLETA PODE TE AJUDAR A SUPERAR A CRISE DO COVID 19

Bicicletas Contra a Crise?

O momento atual que estamos passando, com crises econômicas, políticas e pandemia mundial, exige que tenhamos muitos cuidados, mas infelizmente não existe um consenso sobre quais cuidados realmente devemos tomar. Nosso país tornou politico um assunto de saúde, e nós ficamos na linha de fogo esperando eles dizerem o que devemos fazer (???). De fato, é uma situação confusa, eu me chamo Leandro Roedel, sou empresário no ramo de ciclo logística, instrutor de mecânica de bicicletas e proprietário deste blog, o BCCN Brasil, eu gostaria de levantar uma discussão sobre este tema e deixar a minha opinião sobre como a bicicleta pode nos ajudar a superar essa crise, portanto, vamos aos fatos!


Recomendações de Prevenção

O que chega ao conhecimento de todos é que o vírus Covid 19 (que como bons brasileiros, até já apelidamos, o Coronga), é transmitido pelo ar, e não demonstra sintomas pelas primeiras duas semanas, tornando muito difícil seu controle, e literalmente, parando o mundo todo numa quarentena global (que descobrimos não se tratar de 40 dias, quem diria), por estes motivos, as recomendações de saúde incluem uso de máscaras, distanciamento social, higiene pessoal e de itens (ou locais) de uso comum. A promessa é que se todos cumprirem estas recomendações o vírus para de circular e tudo volta ao normal. Seria lindo se funcionasse assim, mas isso poderia ser chamado de utopia, visto que cada cidadão tem suas condições especificas, e nem todos podem jogar com as mesmas cartas.


As Necessidades da População

Tradicionalmente, o povo brasileiro em grande maioria aprendeu de pequeno que devemos estudar, arranjar um emprego, financiar um bom carro, uma boa casa, e depois curtir a aposentadoria, é uma visão da realidade que considero um pouco distorcida, mas não sou coach e nem quero entrar neste assunto, apenas acredito que este fator tenha contribuído muito para a situação atual, onde a grande maioria das pessoas não tem preparo algum contra algum fator externo que possa atingir a principal fonte de renda da família, não possuem uma reserva financeira de emergência, não possuem investimentos em nenhuma outra fonte de renda, o clássico colocar todos os ovos numa cesta só, isso implica diretamente numa situação de pandemia, onde simplesmente a fonte de renda da grande maioria das pessoas teve que ser fechada, mesmo que temporariamente. Por conta das necessidades financeiras muitas pessoas simplesmente não podem parar de trabalhar, não podem ficar em casa, percebam, eu não disse que não querem, eu disse que não podem! É fácil julgar quando uma pessoa nã faz o mesmo que você, mas é necessário entender que no jogo em que estamos, nem todos tem as mesmas cartas.


Soluções Práticas para Problemas Complexos

Entendidos que a situação das pessoas é diferente, e que a grande maioria não tem preparo para cumprir tais regras da forma proposta, chegamos ao momento de fazer uma coisa interessante: pensar! É o momento que pegamos as recomendações coletivas, e aplicamos individualmente para cada situação, com isso percebemos que da recomendação geral de distanciamento social, nem todos podem acatar, mas boa parte pode amenizar, exemplo disso é a necessidade de deslocamentos, se considerarmos como anda o trânsito das grandes cidades do nosso país, e que o transporte público funciona na base da aglomeração, precisamos buscar alternativas:

Sair do ônibus e ir para o carro?
- pode ser mais seguro pensando individualmente, mas pensando na cidade como um todo, causaria um colapso no trânsito.

Sair do carro e ir para a moto?
- entre carros e motos temos vantagens e desvantagens, com a moto o problema do trânsito reduz um pouco, mas ainda tem que deixar ela em algum lugar. Também considerando que o aumento de carros e motos, aumenta a emissão de gases tóxicos, o que acaba sendo mais um agravante para a situação.

Sair do carro e ir para a bicicleta?
- considerando as opções possíveis, a bicicleta pode te dar uma autonomia média (considere uma boa opção até 10km de deslocamento, em média), ou até maior em caso de bicicletas elétricas (passando dos 20 a 30km de autonomia), aumentando o distanciamento social, contribuindo para a melhora da imunidade pela prática do exercício físico, e ainda contando com uma enorme versatilidade, podendo ser facilmente adaptada para deslocamento, transporte de produtos, estandes, entre inúmeras outras possibilidades.


Bicicletas Contra o Vírus, na Prática

Em algumas cidades ao redor do mundo, Paris por exemplo, o uso da bicicleta tem sido uma das principais armas no combate aos casos da doença, em algumas matérias podemos ver inclusive, que os respectivos governos tem incentivado financeiramente que a população use as bicicletas, note a grande diferença entre o governo liberar verba para a população agir com segurança, enquanto nosso governo libera verba para a população apenas não fazer nada. Eu sei que para muitos é uma necessidade, mas veja que minha crítica está na diferença entre a forma de encarar um problema econômico, de um lado, investem para que as pessoas trabalhem com segurança, de outro, investem para que as pessoas não produzam, agora considere qual a fonte de receita do dinheiro público, e me diga qual conta não vai fechar.


Quero Agir, Mas Não Sei Como Começar

Bom, se você assim como a maioria não pode ficar em casa, e se concorda comigo que a bicicleta é a melhor saída, vou dar algumas dicas práticas de como você pode encarar este que pode ser um desafio:
Primeiramente, identifique sua necessidade, é apenas de deslocamento? Transporte de produtos? Presta algum serviço e precisa levar ferramentas? Qual é a média de deslocamento necessário? Quais tipos de vias vai utilizar? Só posso sair se tiver ciclovia? Eu tenho uma bicicleta? Qual o tipo ideal de bicicleta para mim? Comprar uma bicicleta de mercado vale a pena? Onde vou comprar uma bicicleta?


Muitas perguntas não? Infelizmente essas nem são todas, e eu não posso responder elas por você, mas a partir do momento que você tiver essas respostas, saberá o que precisa para dar os primeiros passos. O que posso te afirmar é que a bicicleta é muito versátil, e pode se adaptar facilmente à diversas necessidades


Responsabilidade de Quem?

É muito comum para o ser humano arranjar um culpado, ou um responsável, é mais fácil deixar que um governante decida, se der errado você se ferra, mas a culpa pelo menos não é sua, não é? Na minha humilde opinião, devemos assumir nossos riscos e nossas responsabilidades, entenda, isso é completamente o oposto de ser irresponsável e tomar atitudes tolas, mas sim, ter o controle sobre sua própria vida, faça o que precisa ser feito, e seja você o responsável pelos seus atos, não é uma decisão correta de um governante que vai botar nosso país no eixo, mas sim, pequenas decisões acertadas por cada indivíduo, quando a maioria das pequenas decisões forem corretas, aí sim o Brasil toma jeito. Não estamos todos no mesmo barco, estamos todos na mesma tempestade, e cada um precisa lutar com as ondas que estiverem no seu caminho, não deixe que os outros decidam qual o rumo da sua vida.


Minha Opinião

Este texto não tem embasamento científico nem político, eu apenas fiz uma coisa um pouco incomum nos dias de hoje: pensei por mim mesmo. Eu já estou a algum tempo tomando minhas próprias decisões, e adivinha só, eu tenho colhido o que plantei, chega a ser óbvio não? Mas me diga, o que você está colhendo, e quem plantou por você? Este blog trata de assuntos relacionados à bicicleta, e na situação que nos encontramos, acredito que meu conhecimento sobre tal assunto possa ajudar outras pessoas a terem uma melhor qualidade de vida. Conheci a bicicleta como um brinquedo, o presente mais esperado no natal! Vi a bicicleta crescer e se tornar um meio de transporte, hoje ela é vista como um veículo, e vou dar um spoiler aqui: em breve, muito em breve, a bicicleta também se tornará uma ferramenta de trabalho! As bicicletas e seus derivados já se mostram como excelentes veículos utilitários em alguns países, e esta realidade está começando agora a chegar ao Brasil, então, estejamos preparados, para quando tudo voltar ao normal (ou quando se estabelecer um novo "normal"), ou até mesmo para a próxima crise, afinal, vamos ficar só esperando as crises passarem, ou vamos estar preparados para elas?


Fica, Vai Ter Bolo

Eu quero te fazer um convite, quer aprender mais sobre as bicicletas? Fica por aqui, acompanhe as postagens do blog, vou trazer bastante conteúdo sobre as bikes, como dicas de segurança no trânsito e mecânica de bicicletas, novidades e curiosidades sobre este mundo que, acredite, é muito maior do que imaginamos! Me siga no Instagram também: @leandroroedel


A imagem mostra uma bicicleta cargueira em maio aos canteiros de flores da rua 15, em Curitiba, com pessoas usando máscaras de proteção ao fundo